Passo os dias a construir plataformas para marcas que medem tudo — visitas, conversões, carrinhos abandonados. Sou fundador de uma agência digital, e há software para acompanhar cada passo de um cliente numa loja. Entretanto, a maioria das igrejas em Portugal vive entre o Excel, o WhatsApp e o envelope. Não é incompetência — é o normal. Não por falta de zelo: por falta de alternativa. Nunca ninguém construiu nada digno para elas, na língua delas.
Quando decidi resolver isto, comecei como qualquer pessoa começaria: fui ver o que existia. Estudei o mercado quase todo — perto de noventa produtos — e encontrei uma surpresa desconfortável. Havia software para tudo: membros, eventos, doações, relatórios. Mas o preço escondia-se atrás de «agende uma demo». A app do membro era um extra de 89 dólares por mês, com semanas de espera pela aprovação da Apple. Os contratos prendiam por doze meses. Alguns levavam percentagem das ofertas — dinheiro que sai, literalmente, do dízimo.
O que mais me incomodou, porém, não foi o preço. Foi o pressuposto. Todos aqueles produtos tratavam a igreja como um clube de sócios: quotas em dia, presenças contadas, salas reservadas. Nenhum — nem um — fazia a pergunta que tira o sono a um pastor: o povo está na Palavra entre domingos?
Por isso construí ao contrário. A gestão está lá — secretaria, tesouraria, escalas, inscrições, tudo o que poupa horas a quem serve. Mas o coração da plataforma é o dia a dia do membro: um devocional diário, planos de leitura com o texto bíblico dentro da própria app, um hábito de leitura com um dia de graça por semana — porque a vida com Deus não é uma competição — e um mural de oração onde um irmão escreve um pedido, outro toca em «Orei», e ninguém carrega o fardo sozinho. Tudo com o nome, as cores e a cara da igreja. Sem app store no caminho: abre-se um link, adiciona-se ao ecrã, está feito.
E decidi uma coisa cedo, num mercado que anuncia milagres: não apresentar nada a nenhuma igreja antes de a plataforma existir por inteiro. Por isso a primeira igreja do Brado não é um cliente — é uma demonstração. Chama-se Aviva, está pública e é navegável de ponta a ponta: o site, a app do membro, o painel da liderança, a Bíblia lá dentro, o WAP a ser medido. Construímos a casa inteira antes de convidar alguém a entrar. Podes visitá-la hoje, sem falar com ninguém.
Chamei-lhe Brado. Em Josué 6, o povo rodeia Jericó durante seis dias, em silêncio. Ao sétimo, ergue-se um brado — e as muralhas caem. As muralhas de hoje têm nomes menos poéticos: app stores, preços escondidos, fidelizações, extras mensais pela app, percentagens sobre as ofertas. Mas a lição de Jericó mantém-se em dois pontos que definem tudo o que fazemos. O brado não foi das trombetas — foi do povo. E a vitória não veio de um atalho — veio de sete voltas de obediência.
O Brado é para a igreja de cinquenta membros que ainda faz tudo à mão e para a de mil que já não aguenta o puzzle de ferramentas. Para o pastor que quer saber como está o rebanho de segunda a sábado sem se tornar o servidor informático da igreja. Para a secretária que defende com unhas e dentes qualquer coisa que lhe devolva as tardes de domingo. Para o tesoureiro que precisa de contas claras diante da assembleia. E para a irmã de setenta anos que só quer ler a Palavra sem se perder em menus — se ela não conseguir usar, nós é que falhámos.
Há compromissos que fazemos questão de deixar por escrito. O preço é público — se tens de perguntar quanto custa, alguém te está a esconder alguma coisa. Não há fidelização: ficas porque queres, e os dados são teus quando quiseres sair. Não tiramos nada do dízimo: as taxas de pagamento passam a custo, à vista. A marca é da igreja — a app é tua, não nossa; nós somos a trombeta, não o brado. Os dados dos crentes ficam na Europa e não se vendem, a ninguém, nunca. E não anunciamos o que o produto ainda não faz — num mercado que promete tudo, dizer só a verdade é a nossa vantagem mais barata e mais cara.
A demonstração foi a primeira volta à muralha. A tua igreja pode ser a próxima.
— Henrique Dutra, fundador